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A possível redução no preço do diesel e do etanol tem gerado expectativas no mercado paraense. Isso porque o preço do primeiro, praticado pela Petrobras, está acima dos valores de referência no mercado internacional e tem condições de cair, segundo representantes do governo Lula. A visão desse grupo é de que o litro do combustível está sendo vendido em território nacional em patamar até R$ 0,40 mais caro. 

Por isso, a análise de economistas e representantes do setor paraense indica que, embora o cenário seja incerto, há uma chance real de alívio para os consumidores. No entanto, diversos fatores podem influenciar o comportamento dos preços nos postos de combustíveis.

Diesel: dependência do mercado internacional e da Petrobras

O diesel, combustível crucial para o transporte de bens e a geração de energia no Brasil, apresenta uma alta relevância na economia do Pará, onde o transporte rodoviário é fundamental para a chegada de produtos de outras regiões. 

De acordo com o economista Kleber Mourão, uma redução no preço do diesel pode gerar um impacto direto no custo do transporte e, consequentemente, no preço de diversos produtos, como alimentos e bens industriais.

No entanto, a Petrobras, desde 2023, tem seguido uma política de preços que visa a reduzir a volatilidade e evitar aumentos abruptos nas bombas. O governo federal tem pressionado para uma possível redução de até R$ 0,40 por litro, algo que, segundo representantes do setor, só ocorreria com intervenção na política de preços da empresa, o que ainda não é consenso.

Pietro Gasparetto, assessor jurídico do Sindicombustíveis do Pará, destaca que qualquer mudança depende da política da Petrobras, mas também do comportamento das distribuidoras. 

“Se a Petrobras reduzir o preço, isso não significa necessariamente que as distribuidoras também repassarão esse desconto aos postos”, afirma.

Etanol: uma alternativa viável?

Outro combustível que pode ter variações no preço é o etanol. No Pará, a produção de etanol ainda é pequena, mas a perspectiva de uma queda nos preços do biocombustível pode torná-lo uma alternativa mais atraente em relação à gasolina. 

Guilherme Minssen, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), ressalta que a redução do preço do etanol no Centro-Sul do Brasil, com a chegada da nova safra de cana-de-açúcar, pode gerar reflexos no Pará, especialmente com o aumento da oferta.

A dinâmica entre gasolina e etanol também é importante para entender esse mercado. Segundo o economista Nélio Bordalo Filho, o etanol torna-se vantajoso quando seu preço está abaixo de 70% do valor da gasolina, o que pode ocorrer especialmente após a safra.

Futuro do mercado de combustíveis no Pará

Conforme os economistas paraenses entrevistados, apesar da pressão para uma queda nos preços, as perspectivas de redução nos combustíveis no Pará dependem de uma série de fatores, desde a política interna da Petrobras até a variação dos preços internacionais e a dinâmica local do mercado. 

Segundo eles, o momento atual exige cautela, já que a imprevisibilidade do mercado de combustíveis ainda é um desafio, tanto para os consumidores quanto para os setores produtivos.

Embora as perspectivas de uma queda nos preços sejam promissoras, especialmente para o etanol devido à safra de cana-de-açúcar, a verdadeira redução nos preços pode levar algum tempo para se refletir nas bombas, dependendo das decisões das distribuidoras e das políticas governamentais. 

O que se espera, no entanto, é que essa possível redução traga alívio para os consumidores e um impacto positivo nos preços de bens essenciais no Pará.

Informações O Liberal