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A guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, acendeu um alerta entre os exportadores do Pará. Produtos estratégicos como minério de ferro, soja e carne bovina, com destinos principais na China, Israel e Emirados Árabes Unidos, podem sofrer aumento de custos e atrasos, pressionando margens de lucro e competitividade internacional.

A instabilidade geopolítica preocupa principalmente pela possibilidade de encarecimento de fretes, combustíveis e seguros marítimos. “Temos necessidade do fluxo de combustíveis e de adubos minerais, além de nossas exportações que viabilizam a balança comercial do Pará”, observa Guilherme Minssen, diretor da Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará). Ele alerta para a atenção especial durante o “inverno Amazônico”, quando estradas precárias já dificultam a logística interna.

Custos logísticos sob pressão

Segundo Nélio Bordalo, economista paraense e membro do Corecon PA/AP (Conselho Regional de Economia do Pará e Amapá), o conflito tem três impactos econômicos diretos para o estado:

  • Aumento nos custos de logística – “Com fretes marítimos mais altos e seguros mais caros, o custo total de exportação por tonelada embarcada sobe. Isso reduz as margens de lucro e pode pressionar para baixo os preços líquidos recebidos pelo minério, soja e carne bovina”, explicou o economista.
  • Perda de competitividade relativa – Exportadores brasileiros podem se tornar menos competitivos frente a países que enfrentam menores custos logísticos, afetando mercados estratégicos como China, Israel e Emirados Árabes.
  • Riscos de atraso e penalidades contratuais – “Maiores tempos de trânsito e incerteza sobre horários podem afetar a confiabilidade das entregas, algo crítico em contratos de commodities”, alerta Bordalo.

Ele ainda ressalta que, para mitigar impactos, será necessário otimizar cadeias logísticas, negociar melhores condições de seguro e diversificar mercados e rotas.

Informações O Liberal